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UM TREM NO PEITO: Uma leitura do Seminário 10 — A Angústia, a partir da expressão mineira



Há sentimentos que chegam antes da palavra.


A gente tenta explicar, organiza frases, procura razões, mas alguma coisa permanece ali, pousada no peito, sem aceitar tradução.


O mineiro, talvez por sabedoria ou economia de linguagem, não diz que está angustiado.


Diz apenas:


“Estou com um trem no peito.”


E basta.


Entre a simplicidade dessa expressão e a sofisticação da teoria lacaniana, existe um encontro inesperado: ambos apontam para aquilo que insiste, para aquilo que não se deixa capturar inteiramente pelas palavras.


Talvez a angústia seja justamente isso:

não a falta de sentido,

mas o excesso dele.


Dia 19 de junho, sexta-feira.


Uma conversa entre linguagem, psicanálise e poesia para escutar aquilo que insiste quando a palavra não basta.


Um Trem no Peito.


Porque nem toda dor pede remédio.

Algumas pedem escuta

 
 
 

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